O QUE É PRODUÇÃO ASSÉPTICA NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA?
- Thaissa Ferreira

- há 1 dia
- 3 min de leitura
ENTENDA O PROCESSO, EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS E IMPACTOS NO PROJETO ARQUITETÔNICO

Esteira para envase de pílulas | Imagem: Freepik
● O QUE É PRODUÇÃO ASSÉPTICA?
A produção asséptica é o conjunto de processos, técnicas e controles utilizados para fabricar medicamentos estéreis sem que haja uma etapa final de esterilização após o envase.
💡 Em outras palavras:
O produto não pode ser esterilizado depois de pronto;
Portanto, todo o processo deve ocorrer sem contaminação microbiana.
● O QUE ENVOLVE UM PROCESSO ASSÉPTICO?
A produção asséptica exige um ambiente altamente controlado, incluindo:
✔ Salas limpas classificadas (ISO 5, ISO 7, ISO 8)
✔ Sistema de ar com filtros HEPA
✔ Equipamentos e materiais previamente esterilizados
✔ Operadores altamente treinados
✔ Procedimentos rigorosos de limpeza, paramentação e validação
⚠️ A esterilidade do produto depende exclusivamente do controle do processo.
● ORIGEM DO TERMO “ASSÉPTICO”
O termo tem origem no grego:
“a” = ausência
“septikós” = infecção ou putrefação
💡 Asséptico significa: ausência de contaminação microbiana
Historicamente, o conceito foi consolidado no século XIX com avanços em:
Microbiologia (Louis Pasteur)
Antissepsia cirúrgica (Joseph Lister)
Na Indústria Farmacêutica, passou a diferenciar:
Processos com esterilização terminal;
Processos que dependem exclusivamente da assepsia.
💉 PRODUÇÃO ASSÉPTICA E A TIRZEPATIDA
A manipulação de substâncias como a tirzepatida (exemplo comercial: Mounjaro®) pode ser considerada processo asséptico, dependendo da forma farmacêutica.
✔ Quando o medicamento é:
Injetável
Termossensível (não suporta calor)
⚪ O processo deve ser asséptico
Por quê?
Peptídeos não suportam altas temperaturas
A autoclavagem pode degradar a molécula
A esterilidade é garantida por:
Filtração esterilizante (0,22 µm)
Manipulação em ambiente controlado
Envase asséptico
⚠️ Em farmácias de manipulação, isso exige:
✔ Cabine de fluxo unidirecional ou isolador (ISO 5)
✔ Sala limpa classificada (ISO 7 como área de fundo)
✔ Monitoramento microbiológico
✔ Validação de processos
● PRODUÇÃO ASSÉPTICA × ESTERILIZAÇÃO TERMINAL
Nem todo medicamento estéril é produzido de forma asséptica.
🔹 ESTERILIZAÇÃO TERMINAL
O produto é envasado e depois esterilizado
Processo mais robusto e com menor risco
Exemplos:
Soro fisiológico
Soluções aquosas termoestáveis
🔹 PRODUÇÃO ASSÉPTICA
Não há esterilização final
A esterilidade depende totalmente do processo
Exemplos:
Biológicos
Vacinas
Peptídeos
Hormônios estéreis
Medicamentos injetáveis termossensíveis
● RESUMO TÉCNICO
Asséptico ≠ apenas ambiente limpo
Produção asséptica = esterilidade garantida pelo processo
Nem todo produto estéril é asséptico
Todo processo asséptico gera produto estéril
● CLASSIFICAÇÃO DE SALAS LIMPAS (ISO 14644)
A classificação ambiental é um dos pilares da produção asséptica.
🔹 CLASSIFICAÇÃO ISO
Classificação | Aplicação |
ISO 5 | Zona crítica (envase e filtração asséptica) |
ISO 7 | Áreas de apoio e preparo |
ISO 8 | Pesagem, lavagem e áreas menos críticas |
🔹 EQUIVALÊNCIA COM GMP
Classificação GMP | Equivalência ISO | Aplicação |
Grau A | ISO 5 | Zona crítica |
Grau B | ISO 7 (em repouso) | Área de fundo |
Grau C | ISO 7 | Preparação |
Grau D | ISO 8 | Apoio |
⚠️ Importante:
A zona ISO 5 nunca opera isoladamente
Sempre está inserida em uma área de fundo ISO 7
Cabines e isoladores criam a zona crítica local
● EXEMPLO PRÁTICO (INJETÁVEL TERMOSSENSÍVEL)
Filtração esterilizante → ISO 5
Envase asséptico → ISO 5
Sala de fundo → ISO 7
Preparação → ISO 7
Pesagem → ISO 8
● IMPACTOS NO PROJETO ARQUITETÔNICO
A produção asséptica impacta diretamente o layout e a infraestrutura do laboratório.
🔹 FLUXOS SEGREGADOS
✔ Pessoas
✔ Materiais
✔ Resíduos
🔴 Cruzamento de fluxos = não conformidade sanitária
🔹 PRESSURIZAÇÃO EM CASCATA
Fluxo de ar sempre do mais limpo para o menos limpo:
ISO 5 → +15 Pa
ISO 7 → +10 Pa
ISO 8 → +5 Pa
⚠️ Evita entrada de contaminantes
🔹 ACABAMENTOS
Superfícies lisas e laváveis
Cantos arredondados
Vedação total
Ausência de frestas
✔ Forros técnicos vedados
✔ Manutenção por áreas menos críticas
🔹 INFRAESTRUTURA (HVAC)
Filtragem HEPA
Renovação de ar controlada
Controle de temperatura e umidade
Retorno de ar adequado
🔹 ALTURA E VOLUMETRIA
Pé-direito compatível com:
Dutos
Filtros
Iluminação embutida
Retornos de ar
⚠️ Salas assépticas exigem maior complexidade técnica
🔹 CABINES, ISOLADORES E RABS
Criam ambiente ISO 5 local
Reduzem risco operacional
Podem otimizar o projeto da sala
Exigem validação rigorosa
● PRINCIPAIS NORMAS APLICÁVEIS
No Brasil, a produção asséptica é regulamentada principalmente por:
RDC 301/2019 (Boas Práticas de Fabricação)
RDC 67/2007 (Manipulação magistral)
Guias da ANVISA para estéreis
ISO 14644 (Salas Limpas)
💡 CONCLUSÃO
A produção asséptica é um dos processos mais críticos da indústria farmacêutica, exigindo:
✔ Controle rigoroso do ambiente
✔ Qualificação de equipamentos
✔ Procedimentos validados
✔ Projeto arquitetônico especializado
⚠️ Um erro no processo pode comprometer todo o lote e colocar o paciente em risco.
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